Tuesday, July 3, 2007

A se não fossem Elas...2

Berthe Morissot - Sala de Jantar

H. GUTHER FAGGION

F oi-se o tempo da mulher submissa. Pelo
menos daquela que não tem voz e nem
vez no mundo dos homens. Agora o
mundo não é só dos homens. As mulheres ganharam
expressão, embora ainda tenham muito
que conquistar. Entretanto, quando o assunto
é consumo, elas já reinam absolutas e representam
nada menos que 70% de todas as compras.
Isso que é poder de decisão. E influência.
Para o azar daqueles que pensam que as mulheres
só decidem na economia do dia-a-dia —
supermercados, feiras, mercearias, açougues e
padarias —, uma pesquisa da Volkswagen do
Brasil acaba de derrubar mais um mito: elas
respondem por 37% das compras de automóveis
e — pasmem — 72% dos veículos são vendidos
pela influência feminina.
A economia, a bem da verdade, retrata apenas
um reflexo dessa mudança que a sociedade
vem sofrendo, em especial no século passado:
a feminilização ou mulherização. Os
machões que tratem de se acostumar com esses
neologismos. De acordo com a Fundação
Carlos Chagas, as mulheres estão
mais escolarizadas que os homens:
em 2002, 31% delas possuíam nove
ou mais anos de estudos, contra
28% dos homens. Elas também representavam,
naquele ano, 54% das
matrículas do ensino médio e 56%
das matrículas do ensino
superior. Ainda, a
proporção de mulheres
casadas que trabalham
fora cresceu de 28,4%,
em 1991, para 37,7%,
em 2000, conforme o
IBGE. Para ter uma idéia
da potência desse fenômeno
mundial, calculase
que as cidadãs norteamericanas
sejam responsáveis
pela injeção de mais de
US$ 5 trilhões anuais na economia
dos EUA. Uau!
UM LADO TRISTE — Além de assumir
cada vez mais um papel central na
família e na sociedade, na grande
maioria das vezes os cuidados com
a casa e com os filhos ainda ficam
sob a responsabilidade da mulher.
Uma pesquisa realizada pela Universidade
do Estado do Rio de Janeiro
aponta que “o homem brasileiro
apóia a ida da mulher para o mercado
de trabalho, mas apenas 6,1% dividem
as tarefas domésticas com
elas”. Por conseqüência dessa sobrecarga
de tarefas e obrigações, indicam
os pesquisadores, as mulheres
estão mais infelizes no casamento:
54% delas não estão satisfeitas com
a vida conjugal, contra 46% de homens
insatisfeitos. Mais um alerta
para os maridos: os filhos e o emprego
vêm em primeiro lugar para
52% das mulheres brasileiras.
Outro dado que afeta diretamente
a qualidade de vida das
mulheres numa sociedade dominada
pelos homens é a violência
doméstica. No Brasil, um levantamento
realizado pelo Movimento
Nacional dos Direitos Humanos
indica que, em 1996,
72% do total de assassinatos
de mulheres
foram cometidos
por homens que partilhavam
de sua intimidade.
De acordo com a
Advocacia Pro Bono
em Defesa da Mulher,
uma entre quatro
mulheres é vítima
de violência doméstica. Mesmo
assim, apenas 2% das queixas
desse tipo de violência resultam
em punição. E esse drama
não é exclusivamente brasileiro
ou de países pobres. Nos EUA,
entre 3 e 4 milhões de mulheres
são agredidas em suas casas por
pessoas de sua convivência íntima.
E enquanto na Índia cinco
mulheres são assassinadas por
dia em decorrência de disputas
por dotes, na África cerca de 6 mil
meninas sofrem mutilação genital
diariamente.
To ThinK ...
Regina Araujo

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